“Altas horas volta, já!” (por Ricardo Guedes)

Às vésperas do carnaval, uma das instituições mais perenes de nosso país, venho tratar de um assunto gracioso, tão perene tanto também que irá assim de ficar.

“Altas horas volta, já!”, de Sérgio Groisman, carinhosamente chamado de Serginho, pelos seus pares, é, disparadamente, o melhor programa da TV brasileira, de todas as áreas, informação, cultura e diversão. De longe.

Joseph Ben-David, então Professor do Departamento de Sociologia da Universidade de Chicago, e Professor da Hebrew University, de quem fui aluno, tece o maestral conceito, expresso no título de seu livro, de “Centers of Learning”, ou de escolas que definem padrões de pensamento, compreensão e atitude perante fatos e eventos sociais.  Os “Centers of Learning” são determinantes em períodos históricos, para os povos e nações, dando o tônus de escolas de pensamento e de ação, como foram Harvard, a Universidade de Berlim, e a Universidade de São Paulo. Pérolas no meio do joio, na formação do que se quer ser, e do que se preserva.

O “Altas horas volta, já!”, é um “Center of Learning”. O único programa na TV nacional, neste sentido. Nas palavras do filósofo alemão, Johann Herder, do século XVIII, é o que se chama de “o espírito dos tempos”, no estabelecimento das crenças, valores, e por onde se seguir. Aquilo que nos une em um dado momento, e que expressa nossas vontades e corações.

Sérgio Groisman reúne e expressa a música brasileira, no que se há de melhor, e corriqueiro, em todos os estilos, trazendo paz aos nossos corações. Naquilo que Roberto DaMatta condiz a um dos ícones da cultura e estrutura de nossa sociedade, a música, como um dos pilares de nossa civilização. O que nos une, nos dá a teia social, a base da substância.

“Altas horas volta, já!”, porque nunca se foi. E que não se vá.

 

 

Ricardo Guedes é Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago e Autor

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