Secretário afasta comandante da GCM acusado de agredir ex-companheiras

São Paulo — A Secretaria da Segurança Urbana de São Paulo afastou o comandante da Guarda Civil Metropolitana (GCM), Eliazer Rodella, acusado de agressão por duas ex-companheiras, conforme revelou o Metrópoles nesta sexta-feira (4/4).

“A Secretaria de Segurança Urbana, por meio do secretário Orlando Morando, informa que, em razão das acusações feitas contra o atual comandante da Guarda Civil Metropolitana, Eliazer Rodella, que o mesmo será afastado imediatamente de suas funções”, afirmou a pasta, em nota.

Segundo a secretaria, um processo na corregedoria será instaurado para apurar as denúncias e verificar seus fundamentos. “Caso as acusações sejam comprovadas, o comandante será exonerado”, disse.

Grávida

A advogada Samara Rocha, ex-companheira de Rodella, diz ter sido espancada pelo então marido em pelo menos duas oportunidades. Em uma delas, a mulher estava grávida do segundo filho do casal, em 2008.

“Quando eu estava [grávida] de oito meses do meu filho, ele me espancou. Minha enteada estava em casa, ela estava com 12 anos. A minha filha tinha um ano e quatro meses. Ele batia minha cabeça na porta, deixou meus braços roxos, me jogou na cama com muita força. Minha enteada começou a chorar, minha menina também. […] Ele dava soco em mim. Não soco na barriga, soco no braço. Meu braço ficou todo roxo”, disse Samara.

Assista:

A declaração foi dada em entrevista ao canal no YouTube Histórias de Divórcios. Em seu relato, a mulher não cita Rodella nominalmente, limitando-se a dizer que o ex-companheiro seria “comandante” de uma “instituição de segurança”. O casal, que se conheceu na faculdade de direito, permaneceu junto entre 2003 e 2019.

A advogada afirma que, na ocasião, não teve coragem de denunciar o então companheiro à polícia, porque “não tinha ninguém” e decidiu pensar nos filhos.

“As vizinhas chamaram a polícia, elas conseguiam ver minha casa. Elas sabiam que eu estava grávida. A polícia foi lá no portão, e ele ficou quietinho. São covardes, né? Ele ficou morrendo de medo. Eu tive que pensar em fração de segundos: ‘Se eu fizer a denúncia, como vou fazer?’. Eu não tinha ninguém. Então eu não falei”, relata a advogada.

Samara Rocha disse, em seu relato, que também foi agredida por Rodella antes do nascimento dos filhos. Ela descreve um episódio em que o então companheiro voltou para casa em seu intervalo na GCM e a violentou.

“Ele saiu para trabalhar. E no meio do horário dele de trabalho ele apareceu lá e me violentou. São coisas que a gente tem até lapsos de memória. Mas isso eu lembro bem. Foi chocante. Ali eu já estava fraca. Eles tiram nossas forças”, disse.

Pedaço de pau com prego

Antes do relacionamento em que teria espancado a então companheira grávida, Rodella havia passado 11 anos com uma mulher que também o acusa de diversos episódios de agressão e descreve cenas de tortura com cintos, pedaços de madeira e baldes de água gelada. À reportagem, ela afirma que chegou a fingir um desmaio para sobreviver.

Com Iranair Gomes da Silva, a mulher que vivia com Rodella antes de Samara, as agressões com cintos e pedaços de madeira teriam marcado o relacionamento.

Nair, como é conhecida, afirma que o episódio ocorreu em 1997, na casa em que moravam na zona leste da capital. Na ocasião, o GCM levou a filha do casal para a casa da irmã dele para que os dois ficassem sozinhos. Ele teria iniciado uma discussão e começado o espancamento.

“Ele aumentou o som no último volume para ninguém ouvir o barulho. Começou a me espancar. Bateu, bateu, bateu muito na minha cabeça. Os pedaços de pau que ele arranjava… Pegou o cinto, bateu muito nas minhas costas, na minha cabeça, nas minhas pernas. […] O que ele tinha ali que ele pudesse achar, ele batia em mim”, afirma Nair ao Metrópoles.

“Ele pegou um pedaço de pau assim maiorzinho, começou a pregar uma ponta de prego para me bater. Quando eu vi aquilo eu falei: ‘Eu vou morrer’. Eu na hora que eu fingi que ia desmaiar. Meu olho começou a tremer. […] Aí ele trancou as portas, saiu, voltou com a caixa de remédio, mandou eu tomar aquele remédio. Nem sei que remédio é, até hoje não sei que remédio que era aquele. Eu tomei”, acrescenta a mulher.

Segundo Nair, no dia seguinte, Rodella teria agido como se nada tivesse acontecido e, quando foi buscar a filha na casa da irmã, teria contado rindo sobre o espancamento. A mulher afirma que tinha machucados por todo o corpo e que a única parte que não estava roxa era o rosto.
Os casos de violência aconteciam também na frente da filha pequena, Gabrielle.

Quem é

Eliazer Rodella, de 56 anos, assumiu o comando da Guarda Civil Metropolitana em 16 de janeiro deste ano. Ele ingressou na instituição em 11 de fevereiro de 1988 como GCM 3ª classe, foi efetivado como inspetor 10 anos depois. Se tornou inspetor de agrupamento em 2016 e, em 22 de outubro de 2016, foi promovido ao cargo de inspetor superintendente.

Antes de assumir o comando da GCM, Rodella comandava a Superintendência de Operações Integradas (SOI) do Smart Sampa. Ele também passou pela Inspetoria Regional Ibirapuera, a Central de Telecomunicações e Videomonitoramento (CETEL), o Setor de Planejamento de Comando (SPOCMDO) e a Inspetoria de Ações Integradas (IAI).

A reportagem não conseguiu contato com Eliazer Rodella. O espaço segue aberto para manifestações.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.