Vídeo: Exército de Israel destrói casas de refugiados na Cisjordânia

O Exército israelense continua as suas operações em Jenin, no norte da Cisjordânia ocupada. Depois de enviar uma fila de tanques e soldados para a cidade no domingo (23/2), Israel continua a forçar os 15 mil habitantes dos campos de refugiados a fugir das suas casas improvisadas, impedindo-os de regressar.

Muitos deixaram tudo para trás e assistem impotentes à destruição praticada pelas forças israelenses.

Veja:

A rua principal do acampamento de Jenin nada mais é do que uma enorme poça de lama. Uma escavadeira blindada israelense termina de quebrar a estrada e, de dentro dela, um soldado faz o V da vitória.

Sohaib, 18 anos, ficou no acampamento deserto: “Voltamos para casa para buscar coisas, roupas, porque saímos sem nada. Mas na saída, os israelenses nos detiveram. Esta manhã, um homem foi baleado na mão por um atirador. Ele está ali no prédio”, relata.

De repente, ouve-se uma deflagração: o Exército israelense acaba de explodir uma casa, porque suspeita que ali viva um combatente da Jihad Islâmica.

Um pouco mais adiante, uma das estradas que leva a Jenin está intransitável. “Ontem entraram os tanques com escavadeiras que destruíram a estrada, as pessoas atiraram pedras e coquetéis molotov contra eles”, explicou um morador. “O ocupante faz isso para prejudicar a nossa moral, mas não adianta: é a nossa pátria, ficaremos aqui para sempre”, destacou.

Ao lado da mesquita, Majdal lê um livro: mal presta atenção aos veículos blindados israelenses. “Há dois meses que nós, estudantes do acampamento, não vamos à escola, ela está fechada”, conta a menina de 15 anos.

“Faço aulas on-line, mas a maioria dos alunos deslocados não tem Internet. Mas tudo isso me motiva a continuar as lições: defender minha pátria com conhecimento”.

De repente, a poucos metros de distância, um jato de água irrompe do solo: o Exército israelense acaba de furar um cano.

Vidas para trás

Duas jovens, Solafa e a sua irmã Alaa, encontraram refúgio com o seu irmão a 200 metros do acampamento. Solafa explica que deixou a sua vida para trás há alguns dias.

“Os israelenses enviaram drones com alto-falantes por cima do campo para nos pedir que evacuássemos antes da intervenção. Não levamos nada, apenas as roupas que tínhamos. Deixamos tudo, a casa, os passaportes, tudo”.

Há 24 horas, no meio da noite, Solafa, atordoada, viu tanques israelenses passarem diante de sua janela. “Eu vi os soldados ali mesmo. Eles estavam gritando e jogando granadas de efeito moral, não sei o que estavam fazendo.”

Sua irmã Alaa também acordou. “Claro que estamos com medo, o que eles vão fazer? Não há mais combatentes da resistência aqui. Os dois últimos combatentes partiram, os israelenses explodiram suas casas e eles também”, desabafa.

Transformar Jenin numa pequena Gaza

Esta é a primeira vez desde 2002, durante a segunda Intifada, que tanques israelenses entram em Jenin. Para Solafa, é a vingança que move Israel. “Em Jenin, somos como em Gaza: as pessoas resistem e são apoiadas. E como os israelenses não tiveram sucesso nisso, dizem que conseguirão transformar Jenin numa pequena Gaza.”

Entretanto, Solafa e Alaa se consideram com sorte de estarem na casa do irmão, ao contrário de milhares de refugiados que fugiram em extrema precariedade.

A Cruz Vermelha alertou na segunda-feira (24/2) para a situação, segundo um comunicado de imprensa divulgado à margem de uma operação militar israelense no norte da Cisjordânia ocupada.

“O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) está profundamente preocupado com o impacto das operações de segurança em curso sobre as populações civis em Jenin, Tulkarem, Tubas e outros locais no norte da Cisjordânia”, afirma o texto, acrescentando que “as pessoas estão tendo dificuldades no acesso às necessidades básicas, como água potável, alimentos, cuidados médicos e abrigo”.

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