Paulo Barros abre o jogo sobre os desafios e bastidores do Carnaval

O carnavalesco Paulo Barros abriu o jogo sobre sua carreira e os bastidores do Carnaval em uma entrevista ao canal Na Real, apresentado por Bruno Di Simone. Durante a conversa, ele revelou suas expectativas para o desfile da Vila Isabel em 2025, refletiu sobre as diferenças entre o Carnaval do Rio de Janeiro e de São Paulo e relembrou sua trajetória até se tornar um dos maiores nomes da folia brasileira.

“Eu caí meio de paraquedas, mas a paixão me levou até o Carnaval”, disse ele.

A entrevista completa vai ao ar nesta quarta-feira (26/2), às 20h. No entanto, a coluna Fábia Oliveira teve acesso, com exclusividade, ao programa.

Empolgação com o enredo da Vila Isabel

A Vila Isabel promete um desfile marcante em 2025 com o enredo “Quanto mais eu rezo, mais assombração me aparece”, e Paulo Barros não esconde a empolgação. “Estou muito animado pra esse ano. Por um motivo: estou fazendo o enredo que eu quero fazer. É uma regra você fazer o enredo que você quer? Não. Eu já fiz campeonatos com enredos que eu não escolhi”, disse.

O carnavalesco destacou ainda que o tema dialoga diretamente com sua essência criativa. “O enredo desse ano fala sobre as lendas. É um enredo que me seduz, que é a minha cara”, afirmou.

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Paulo Barros passa por cirurgia; saiba detalhes

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Do fascínio infantil ao estrelato no Carnaval

Paulo Barros contou que sua relação com o Carnaval começou cedo, ainda na infância. “Comecei a ver Carnaval muito pequeno, via os desfiles pela televisão, nos anos 70. Eu passava a madrugada assistindo e me fascinava com aquilo”, relembrou.

Ele foi se desenvolvendo artisticamente de forma autodidata, até que recebeu um convite que o fez estrear no universo carnavalesco. “Em 1993, um amigo me chamou – porque eu desenhava por conta própria – pra ser figurinista de uma escola do grupo B. E assim começou a minha história… Nunca mais parei”, disse ele.

Rio x São Paulo

Com passagens pelo Carnaval paulistano e carioca, Paulo Barros apontou algumas diferenças estruturais entre os desfiles das duas cidades. “O sambódromo de São Paulo é menor, e isso influencia muito. Eu desfilei na Gaviões e, como de praxe, venho no final e sinto diferença sim”, explicou.

Ele também destacou aspectos técnicos que diferenciam as festas. “No Rio, temos uma limitação de viaduto. Em SP, você constrói carros imensos… Existem diferenças sim, mas eu não diria que um é melhor que o outro”, ponderou.

A paixão como combustível

Para Barros, o amor pelo Carnaval é o que o mantém motivado a cada ano. “A paixão. Os últimos anos, eu até dei uma esmorecida, um pouco cansado, por conta de julgamento, coisas que você vê que são compreensíveis e coisas que não são”, revelou.

O carnavalesco também ressaltou que o sucesso no Carnaval exige mais do que talento artístico. “Uma escola de samba pra ser campeã precisa ser organizada, trabalhar, precisa de gestão empresarial. A escola que hoje não entender que aquilo é uma empresa, não significa que ela vai ser campeã, mas tem que entender que isso é uma empresa”, pontuou.

Saída da Viradouro e os desafios da carreira

A saída de Paulo Barros da Unidos do Viradouro causou polêmica. Na entrevista, o carnavalesco explicou as circunstâncias que o levaram a deixar a escola.

“A minha saída se deu por conta da Gaviões da Fiel. Vários carnavalescos fazem Carnaval no Rio e São Paulo. Mas, quando foi anunciado, saiu que eu estaria lá, e a Viradouro questionou se eu teria dois patrões”, contou ele.

“Esse comentário não foi tão forte. Hoje, eu compreendo o que falaram pra mim. Não que eu me arrependa, mas hoje eu enxergo isso de outra maneira”, admitiu. “Mas naquele momento, eu saí de lá com um nó na garganta e falei que quem estava infeliz era eu e saí da escola”, desabafou.

Vida pessoal e saúde

Em um momento mais íntimo da entrevista, Paulo Barros falou sobre sua relação com o parceiro Fábio e relembrou um episódio dramático em sua vida. “Eu tive um infarto, eu só senti a dor no braço, no peito. Ele [Fábio] foi na internet, deduziu que eu estava infartando e me levou pro hospital. Fiz uma angioplastia em menos de duas horas, que salvou minha vida”, contou.

Sobre o relacionamento, ele se mostrou realizado. “Estou muito feliz. Estamos juntos há 6 anos. É uma cumplicidade, a gente vai amadurecendo e sossegando”, disse.

Sonho de voar

Curiosamente, antes de se consolidar no Carnaval, Paulo Barros teve uma breve experiência na aviação. “Meu pai e minha família diziam que eu tinha que ser engenheiro, mas eu não suportava matemática. Eu estudei e fui fazer arquitetura. Nesse tempo, eu estava estudando inglês e conheci uma comissária de bordo que me falou sobre a vida na aviação”, revelou.

O interesse pelo setor o levou a prestar concurso para a Varig, onde trabalhou como comissário de bordo. “Hoje em dia você entra num voo e é transporte de carga. Antigamente, tinha um glamour, você se arrumava pra viajar. As pessoas colocavam suas melhores roupas pra viajar”, relembrou.

Assédio no Carnaval e no passado como comissário

Ao ser questionado se recebia muitas cantadas quando era comissário, ele respondeu de forma bem-humorada. “Eu não me chamo lindo, mas hoje eu me sinto melhor fisicamente e aparentemente do que quando eu voava. Quando eu voava, eu era magrinho. Recebo muito mais hoje, com 62 anos, do que naquela época”, brincou.

Já no ambiente do Carnaval, as cantadas também fazem parte. “Na Sapucaí, eu recebo”, disse.

No entanto, ele admite que, durante o desfile oficial, está tão focado que não percebe nada ao redor. “O dia do desfile é o pior dia da minha vida. É o inferno astral, porque aquele dia eu tenho que me concentrar pra tudo dar certo”, afirmou.

O presente e o futuro

Hoje, Paulo Barros se enxerga como alguém mais tranquilo e focado. “Eu tô uma pessoa mais calma. Sou perfeccionista, quero ter ciência e domínio de tudo, o que é quase impossível você conseguir”, revelou.

Sobre estética, ele também fez algumas intervenções ao longo dos anos, mas sem exageros. “Já fiz procedimentos simples. Hoje, acho que não faria mais”, concluiu.

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