Justiça aceita denúncia e torna reús 6 acusados no caso Gritzbach

São Paulo — A Justiça aceitou, nesta segunda-feira (17/3), a denúncia feita pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra seis acusados de participarem da execução de Vinícius Gritzbach, morto a tiros no aeroporto de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo.

Com a decisão, os seis se tornaram réus e a Justiça decretou prisões preventivas para todos os mencionados. São eles: Denis Antônio Martins, Ruan Silva Rodrigues, Fernando Genauro da Silva, Kauê do Amaral Coelho, conhecido como Jubileu, Diego dos Santos Amaral, vulgo Didi, e Emilio Carlos Gongorra Castilho, também conhecido como Cigarreira.

Os três primeiros são policiais militares e apontados como executores do crime. Denis e Ruan foram os autores que vitimaram Gritzbach no dia 8 de fevereiro. Fernando Genauro, também PM, foi quem dirigiu o carro na fuga dos atiradores. Kauê é apontado como um olheiro, que ficou responsável por vigiar os passos do alvo no aeroporto. Didi e Cigarreira são considerados os mandantes. Os três últimos estão foragidos, enquanto os PMs estão presos.

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Gritzbach chegou a ser preso, mas acabou liberado

Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), Gritzbach teria mandado matar dois integrantes do PCC
O delator do PCC foi preso em 2 de fevereiro deste ano em um resort de luxo na Bahia
Empresário, preso sob suspeita de mandar matar integrantes do PCC, foi solto por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ)
Corpo de rival do PCC executado no aeroporto
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Antônio Vinícius Lopes Gritzbach voltava de uma viagem com a namorada quando foi executado na tarde de 8 de novembro, na área de desembarque do Terminal 2 do Aeroporto Internacional de São Paulo

Câmera Record/Reprodução

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Gritzbach chegou a ser preso, mas acabou liberado

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Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), Gritzbach teria mandado matar dois integrantes do PCC

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O delator do PCC foi preso em 2 de fevereiro deste ano em um resort de luxo na Bahia

Reprodução/TV Band

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Empresário, preso sob suspeita de mandar matar integrantes do PCC, foi solto por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ)

Divulgação

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Corpo de rival do PCC executado no aeroporto

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Corpo de rival do PCC morto em desembarque de aeroporto

Leonardo Amaro/ Metrópoles

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Delator do PCC foi morto no Aeroporto de Guarulhos

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Corpo de rival do PCC morto em desembarque de aeroporto

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Na decisão, o juiz do Foro de Guarulhos, Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo, afirmou que as prisões são necessárias, pois “há sérios indícios do envolvimento dos réus em crime hediondo, que coloca em constante desassossego a sociedade, contribuindo para desestabilizar as relações de convivência social”.

O magistrado determinou 10 dias para que os réus respondam a decisão.

Denúncia do MPSP

A decisão da Justiça vem após uma denúncia do MPSP. O documento tem como base o relatório final de investigação apresentado na última sexta-feira (14/3) pela Polícia Civil de São Paulo.

Os envolvidos foram denunciados por homicídio qualificado, com qualificadoras por motivo torpe, emprego de arma de fogo e emboscada.

A motivação seria vingança por três episódios: a morte do líder do PCC Anselmo Santa Fausta, o Cara Preta, em dezembro de 2021, atribuída a Gritzbach; um suposto desvio de parte de um investimento feito pela facção em criptomoedas; e o acordo de delação premiada firmado com o Ministério Público de São Paulo.

Em janeiro de 2022, menos de um mês após a morte de Cara Preta, Vinícius Gritzbach foi levado por integrantes da cúpula do PCC na zona leste para um tribunal do crime em um campo de futebol. Na ocasião, ele seria julgado pelo homicídio e pelo suposto golpe milionário na facção.

Cigarreira e Didi estavam presentes, além de importantes figuras do PCC, como Danilo Lima de Oliveira, o Tripa; Rafael Maeda Pires, o Japa; e Claudio Marcos de Almeida, o Django. Sob a promessa de entregar aos criminosos as senhas das carteiras digitais em que estavam investidos milhões em criptomoedas, Gritzbach foi libertado.

Vínculo com crime

A polícia conseguiu estabelecer o vínculo entre Cigarreira, Didi e o assassinato de Gritzbach a partir da identificação do olheiro, que teria ficado responsável por avisar os atiradores sobre o desembarque do alvo no aeroporto de Guarulhos. Kauê do Amaral Coelho é primo de Didi.

A partir da quebra de sigilo do aparelho celular do olheiro, foram encontradas conversas com menções a Cigarreira, com um áudio em que Kauê fala sobre um episódio em que os dois estiveram juntos.

Segundo a polícia, conversas entre vários envolvidos no esquema fazem referência a Cigarreira como “pai”, indicando o papel de liderança no crime. A polícia ainda não tem informações precisas dos três foragidos, mas acredita que eles estão em uma comunidade na Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro.

A comunidade, dominada pelo Comando Vermelho (CV), tem Cigarreiro como um dos fornecedores de droga. No local, eles teriam realizado uma festa que durou dois dias para comemorar o sucesso na “missão” para matar Gritzbach.

“Não existem dúvidas que todos os indivíduos supramencionados de alguma forma trabalham e estão vinculados a Cigarreira, sendo eles integrantes do PCC, do CV ou da organização criminosa de tráfico de drogas interestadual liderada por Emílio Castilho”, afirma a polícia no relatório.

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