Sucessão de Tarcísio leva a corrida entre núcleo do governador e Nunes

São Paulo — A possível sucessão de Tarcísio de Freitas (Republicanos) no caso de uma candidatura à Presidência da República gerou uma corrida entre pessoas do núcleo duro do governador e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB).

O prefeito já tem se colocado como possível sucessor de Tarcísio, gerando críticas mesmo entre os próprios aliados. Auxiliares de Tarcísio, por sua vez, avaliam que o emedebista “queimou a largada” e veem nomes como os de secretários Natália Resende (Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística) e Arthur Lima (Casa Civil) como alternativas mais próximas do governador.

Para esse grupo, Nunes foi afoito ao começar a campanha logo após ser eleito prefeito, demonstrando arrogância e abrindo espaço para o fogo amigo. “Neste momento, quem coloca a cabeça para fora, tende a apanhar”, disse um aliado do grupo político do prefeito e do governador.

Além disso, há no entorno tanto de Tarcísio como de Nunes um medo do que seria a gestão da capital paulista nas mãos do vice-prefeito coronel Mello Araújo (PL), visto como alguém que ainda não está pronto para o cargo. A inexperiência política do policial e o seu radicalismo levam à avaliação de que o governo dele poderia ser marcado por instabilidade.

Natália Resende e Arthur Lima são pessoas de estrita confiança de Tarcísio. Com popularidade em alta, o governador é visto como alguém capaz de viabilizar um nome de sua escolha, mesmo que ainda sejam pouco conhecidos. Ambos os auxiliares de Tarcísio, por outro lado, não não possuem o mesmo recall e traquejo político de Nunes.

Além de Natália e Lima, outro aliado visto como um entrave para o projeto do prefeito é Gilberto Kassab (PSD), que trabalha para ser vice da chapa de Tarcísio para a reeleição ao Bandeirantes.

MDB pode ser trunfo para Nunes

Segundo aliados, um dos “trunfos” de Nunes para se cacifar como candidato ao Palácio dos Bandeirantes com o apoio de Tarcísio seria sua capacidade de atrair o MDB nacional para a coalização em torno da candidatura presidencial do governador. Para isso, conta a proximidade do prefeito com o presidente da sigla, Baleia Rossi, e com o ex-presidente Michel Temer.

Interlocutores de Tarcísio ainda afirmam que o atual momento é de muita especulação e que o xadrez para 2026 deve começar a se desenhar de forma mais clara no segundo semestre.

“É como a largada de uma corrida de cavalo: a poeira sobe e você não consegue enxergar direito os competidores. Tem que esperar a poeira baixar para identificar melhor os cavalos que estão na frente”, disse um aliado.

Para algumas pessoas do entorno, os sinais dados por Nunes têm por objetivo, neste primeiro momento, apenas se mostrar viável. Levantamento do instituto Paraná Pesquisas, divulgado no fim do mês passado, colocou o prefeito em primeiro lugar nos cenários sem Tarcísio.

Em um dos cenários, o emedebista aparece com 27% das intenções de voto, contra 26% de Pablo Marçal (PRTB). Em outro, sem Marçal, Nunes tem 35,8%, ante 21,6% de Márcio França (PSB). O resultado animou o prefeito, que chegou a encaminhar a pesquisa para aliados.

Além disso, pesquisa do mesmo instituto divulgada na última terça (18/3) apontou que a gestão Ricardo Nunes tem 60% de aprovação, mesmo desempenho de Tarcísio no governo do estado.

Tarcísio em compasso de espera

Apesar de todas as especulações, Tarcísio tem dito a aliados que vai aguardar o cenário se desenhar de forma mais clara antes de qualquer movimento. A preferência é sair para a reeleição e o governador afirma que será leal a Bolsonaro. Diante disso, ele só aceitaria disputar o Planalto com a “benção” do padrinho.

Para se candidatar à presidência, Tarcísio precisaria se licenciar do cargo de governador até abril de 2026.

 

Adicionar aos favoritos o Link permanente.