Juros altos e estímulos do governo colocam economia em rota de colisão, diz especialista

Empresas mais endividadas na bolsa

A política econômica brasileira caminha com sinais trocados. Enquanto o Banco Central atua para conter a inflação por meio de juros elevados, o governo federal segue com medidas de estímulo para evitar uma desaceleração mais intensa da economia. Essa dissonância entre política monetária e fiscal pode atrapalhar o cumprimento das metas inflacionárias e comprometer o crescimento sustentável, segundo Sérgio Goldenstein, estrategista-chefe da Warren.

Em entrevista à BM&C News, Goldenstein explicou que, embora o governo tente mitigar os efeitos da alta da Selic sobre a atividade, o espaço para estímulos é limitado. “Mesmo com o governo tentando conter o arrefecimento da economia, a política monetária vai prevalecer. A taxa Selic está em um patamar muito alto e o impulso fiscal deste ano será menor que o de 2023”, disse.

PIB pode crescer abaixo de 2% no governo Lula

Para o estrategista, a soma de juros altos, redução no crescimento dos gastos públicos e queda na confiança tende a reduzir o ritmo da economia nos próximos meses. Embora o mercado ainda projete um crescimento de 2% para o PIB de 2025, Goldenstein avalia que o número pode ser menor, ficando entre 1,5% e 2%.

Os indicadores já apontam uma perda de fôlego. O consumo das famílias, que sustentou o crescimento nos últimos anos, deve enfraquecer diante do crédito mais caro, menor geração de empregos e aumento gradual da taxa de desemprego”, explicou.

Governo pressiona com estímulos, mas perde fôlego fiscal

Goldenstein também alerta que, ao tentar evitar a perda de popularidade, o governo tem recorrido a políticas fiscais e parafiscais expansionistas. No entanto, ele ressalta que as amarras do arcabouço fiscal limitam esse espaço, e um excesso de heterodoxia pode provocar efeitos indesejados, como depreciação cambial e alta na inflação — justamente o que o Banco Central tenta conter.

O governo tenta manter a economia aquecida, mas não pode romper o arcabouço fiscal. Se exagerar, o câmbio se desvaloriza, a inflação sobe e a popularidade do governo cai ainda mais”, destacou.

Atividade fraca pode abrir espaço para corte de juros

Mesmo diante da resistência do consumo interno, há um fator positivo vindo da oferta: o agronegócio. Segundo Goldenstein, a expectativa de super safra agrícola pode aliviar os preços dos alimentos e ajudar a composição do PIB, ao menos parcialmente.

Ainda assim, ele acredita que a fraqueza da demanda será determinante. “A atividade vai enfraquecer, mesmo com tentativas de estímulo. Isso abre espaço para o fim do aperto monetário e, eventualmente, o início de um ciclo de queda da Selic no fim do ano”, concluiu o estrategista da Warren.

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