Expert explica por que “besteiras” podem causar términos de relações

Ouvir Taylor Swift, só falar de academia, ser viciada em signos, usar sapato feio, falar errado, não gostar da sua banda favorita ou até lado político… Muitas são as “razões” para que uma pessoa deixe de sair com outra. Mas será que é só criticidade para encontrar a pessoa perfeita, ou perdemos a tolerância para as “esquisitices” alheias?

O psicólogo Fabiano de Abreu Rodrigues destaca que, na maioria das vezes, o que chamamos de “algo pequeno” não é exatamente o que causou o afastamento. Ele é apenas o gatilho de um desinteresse que já vinha sendo construído de forma sutil, silenciosa.

De forma técnica, o profissional aponta que o cérebro humano, especialmente o sistema límbico e o circuito da dopamina, é treinado para buscar novidade, idealização e prazer instantâneo.

“Durante as fases iniciais de uma relação, há uma espécie de ‘dopamina romântica’ — tudo é potencial, tudo é projeção. Quando o outro comete um pequeno gesto que foge da idealização criada — uma palavra ríspida, um hábito que incomoda, uma aparência que destoa da fantasia — aquilo atua como um gatilho que rompe a ilusão”, explica o psicólogo.

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As pessoas estão mais críticas ou apenas dão uma “desculpa” para algo que já não desejam?

Fabiano enfatiza que as duas situações estão em jogo, mas com uma nuance importante: vivemos uma era de hipersensibilidade emocional e da baixa tolerância à frustração. “As redes sociais, os algoritmos e o consumo imediato condicionaram o cérebro moderno a desistir rápido do que não é perfeito , o que pode se mascarar como “crítica”, mas muitas vezes é apenas uma evitação emocional disfarçada.”

Além disso, o especialista acrescenta que ao lidar com as perturbações de uma conversa madura ou com a complexidade do outro, é mais fácil dizer: “perdi o encanto”.

“Ou seja, muitas vezes não somos críticos — estamos apenas buscando saídas que nos eximam da responsabilidade afetiva , do compromisso de lidar com as imperfeições”, acentua Fabiano.

Paixão genuína

O profissional frisa que essas situações se diferem de uma paixão genuína. “Muitas vezes não nos apaixonamos pela pessoa real, mas pela projeção que criamos dela. Quando a realidade se impõe, ainda que em um gesto simples ou uma palavra mal colocada, a ilusão se rompe — e junto com ela, a vontade de continuar.”

A paixão genuína, segundo Fabiano, não se desfaz por detalhes. “O que se desfaz por detalhes é uma idealização, uma carência, insegurança, um desejo de preenchimento rápido. Relações verdadeiras exigem maturidade emocional, tolerância às imperfeições e disposição para crescer junto com o outro.”

Reeducação do cérebro

A chave, para o psicólogo, está em educar o cérebro para a realidade e não para a fantasia. E, para isso, é preciso:

  • Autoconhecimento: identificar se o afastamento vem de um descompasso real ou de uma idealização frustrada.
  • Tolerância emocional: compreender que o outro é imperfeito — assim como nós — e que amar é um ato de adaptação, não de projeção .
  • Construção afetiva: tesão e encantamento verdadeiros não moram na perfeição, mas na profundidade que se cria ao longo do tempo com alguém real.
  • Romper esse ciclo exige maturidade neurológica e afetiva: entender que o que é construído com base em facilidades e convivência supera qualquer paixão efêmera baseada em fantasia.
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