Cresce aposta no Brasil, mas risco fiscal segue no radar

O aumento da imprevisibilidade econômica global, especialmente diante da política tarifária norte-americana, tem criado um cenário incomum para os mercados emergentes. Em entrevista ao programa BM&C News, o economista e doutor em Relações Internacionais, Igor Lucena, avaliou os impactos dessa conjuntura para o Brasil e alertou: o risco fiscal continua sendo uma ameaça real — apenas eclipsada temporariamente pela confusão externa.

Segundo Lucena, em um ambiente teórico, o cenário atual deveria resultar em uma fuga de capitais dos países emergentes. No entanto, o Brasil vem registrando alta na bolsa e uma performance melhor do que a esperada, o que indica que, ao menos no curto prazo, os investidores estão optando por permanecer no país.

Os agentes econômicos estão apostando que, apesar do risco fiscal e dos problemas econômicos internos, é mais crível entender o que acontece com a economia brasileira do que com a americana no momento, explicou o economista.

No entanto, ele faz um alerta: essa janela de confiança não deve durar. Lucena avalia que o orçamento brasileiro é excessivamente otimista, especialmente em relação à previsão de superávit primário. Para ele, a expectativa mais realista é de um déficit superior a R$ 50 bilhões, especialmente quando se leva em conta os precatórios e outras despesas subestimadas.

Acho que tem muita receita que não vai se concretizar. A gente deve terminar o ano mais uma vez com déficit elevado”, afirmou.

Instabilidade externa favorece Brasil

Com a instabilidade externa temporariamente favorecendo o Brasil, Lucena defende que este é o momento ideal para o país atrair capital e realizar operações importantes, como o refinanciamento da dívida pública. Ele destaca que o Tesouro Nacional enfrenta dificuldades para emitir títulos e lembra que medidas como a operação do mercado 24 horas são tentativas de enfrentar esse desafio.

Mas o cenário internacional também pode mudar rapidamente. À medida que os Estados Unidos retomarem a previsibilidade econômica, mesmo com possíveis tarifas mantidas, o Brasil voltará a ser pressionado por seus próprios fundamentos fiscais.

O risco fiscal está sendo eclipsado pelas incertezas americanas, mas isso é passageiro. Nunca se deve apostar contra a economia dos EUA. Os fundamentos deles seguem sólidos, ponderou Lucena.

Apesar das críticas à condução da política econômica no Brasil, o economista acredita que o atual momento é propício para operações de recompra de ações e fechamento de capital por parte das empresas. A abertura de capital, por outro lado, deve continuar em baixa.

Lucena conclui com uma visão pragmática: o otimismo com o Brasil é reflexo da desordem externa, mas não é sustentável. O país precisa agir com responsabilidade fiscal para manter o interesse do investidor no médio e longo prazo.

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