Tarifas de Trump elevam incerteza e pressionam S&P 500, diz Gustavo Cruz

Opinião: "Trump e o “Big Stick” em versão econômica"

O anúncio de novas tarifas por Donald Trump reacendeu o debate sobre o protecionismo dos Estados Unidos e trouxe um novo nível de incerteza aos mercados globais. Em entrevista ao programa da BM&C News, o estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz, afirmou que o movimento de queda observado no S&P 500 pode se intensificar com o avanço dessa agenda econômica mais fechada.

Mercado americano mais vendedor e preocupado com tarifas de Trump

Segundo Cruz, o atual movimento vendedor nas bolsas dos Estados Unidos pode ganhar força caso as tarifas propostas por Trump sejam implementadas. “Essa incerteza e receio do mercado podem se exacerbar com a efetivação das tarifas”, afirmou.

Apesar da postura historicamente pró-mercado de Trump, o retorno da retórica protecionista preocupa os investidores. “A economia americana tem se distanciado da agenda de globalização das últimas décadas e, agora, adota uma linha mais fechada, iniciada no primeiro mandato de Trump e que continuou com Biden”, destacou o estrategista.

Impactos sobre a economia americana

Gustavo Cruz alerta que o aumento de tarifas pode encarecer o custo de vida nos EUA, tornando produtos importados mais caros. “Esse tipo de guerra comercial, se não for bem direcionada, pode afetar diretamente o consumidor americano”, explicou.

Ele deu o exemplo do setor automotivo: “Para entrar um carro americano na Europa, a tarifa é de cerca de 12%. Já um carro europeu que entra nos EUA paga entre 2,5% e 4%. Um aumento nessa tarifa pode beneficiar alguns produtores locais, mas no geral, o custo da vida aumenta”.

Risco de reação internacional às tarifas de Trump e mais volatilidade

O estrategista não acredita que a volatilidade termine com o anúncio atual. Para ele, Trump deve usar o discurso das tarifas como instrumento de negociação geopolítica. “Seja com Rússia, Irã, Israel ou até na segurança marítima no Oriente Médio, Trump vê a tarifa como sua moeda mais forte”, avaliou.

Os Estados Unidos são a maior economia do mundo. Todo país quer vender para eles. Então, qualquer medida protecionista gera uma reação em cadeia”, disse Cruz, reforçando que as retaliações de outros países podem ampliar ainda mais o impacto global.

Globalização em xeque: novo ciclo de fechamento econômico

Na visão de Cruz, o cenário atual marca uma nova fase de retração econômica global, semelhante ao que já ocorreu historicamente. “A humanidade ainda não aprendeu a promover uma globalização sem deixar grupos para trás. Esses grupos ganham força política e pressionam os governos por medidas mais protecionistas.

Ele ressalta que, após cerca de três décadas de forte abertura comercial, o mundo entra em mais um ciclo de fechamento econômico. “É algo que vimos diversas vezes. A economia abre, depois fecha, depois abre novamente. Agora estamos na fase de fechamento, com mais representação de grupos que perderam com a globalização”, explicou.

Volatilidade continua e tarifas devem ser parte do discurso de Trump

Para os próximos anos, Cruz acredita que a volatilidade dos mercados continuará alta e que o uso político das tarifas deve se tornar um modus operandi na política externa de Trump. “Ele vai continuar usando tarifas como instrumento de pressão, seja para negociar com empresas ou com governos. E o mercado vai seguir atento, reagindo a cada novo anúncio”, concluiu.

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