Popularidade de Lula em queda é um alerta para medidas fiscais mais agressivas, diz estrategista

A nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira acendeu um novo sinal de alerta para o governo. Com 56% dos brasileiros desaprovando a atual gestão e a maioria afirmando que a economia está na direção errada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode dobrar a aposta em medidas fiscais expansionistas para reverter a queda na popularidade. A avaliação é de Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, em entrevista ao programa BM&C News.

O mercado já entende que não haverá grandes avanços na agenda fiscal nem em 2025 nem em 2026, mas existe sempre o risco de novas medidas populistas para segurar o nível de atividade econômica”, disse Cruz.

Entre as ações recentes e discutidas pelo governo, estão isenção do imposto de renda, ampliação do programa Pé-de-Meia, liberação de FGTS, crédito consignado privado e até a criação de uma nova faixa no Minha Casa Minha Vida. Para Cruz, essas iniciativas mostram que o governo “tem um desejo muito grande de não deixar o PIB mostrar fraqueza“, mesmo diante de um cenário de recursos limitados.

Ainda assim, o estrategista pondera que o espaço fiscal é bem mais restrito do que nos governos anteriores de Lula e Dilma Rousseff.

Se o presidente perceber que a popularidade não reage, ele pode tentar resgatar medidas que funcionaram politicamente no passado, como a redução de IPI sobre determinados produtos”, avalia.

Inflação alta pressiona popularidade de Lula

A tentativa de estimular a economia esbarra na pressão inflacionária. Para Cruz, o IPCA em 12 meses deve continuar subindo, podendo chegar a 5,5% ou até 6% nos próximos meses, o que mantém a sensação de desconforto da população com os preços.

Vai demorar pra população sentir alívio real nos preços, só mais pro segundo semestre a gente deve ver quedas mais consistentes, especialmente em alimentos como carne e ovos”, destacou.

Outro ponto que chamou atenção foi a mudança no humor do eleitorado do Nordeste, região historicamente favorável ao petista.

Pela primeira vez, nos três mandatos, vimos um empate técnico entre aprovação e reprovação no Nordeste. Isso não significa perda total de apoio, mas mostra que há desgaste”, explicou o estrategista.

Apesar disso, Cruz ressalta que desaprovação não se traduz necessariamente em voto contra. “Uma coisa é perguntar se a pessoa aprova o governo, outra é se votaria nele. Não é a mesma coisa”, afirmou.

Com inflação pressionando, apoio popular em erosão e eleições se aproximando, o mercado segue atento ao risco de mais gastos públicos e medidas fiscais que, embora populares, podem comprometer ainda mais a credibilidade do arcabouço fiscal.

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