PARÁ – Duas toneladas de drogas são apreendidas em balsa e 10 traficantes presos

Em uma operação que entra para os anais da segurança pública paraense, a Polícia Civil do Pará realizou, nesta sexta-feira, 4, uma das maiores apreensões de entorpecentes da história do estado. Mais de duas toneladas de drogas — incluindo pedra de oxi, cocaína e skunk — foram confiscadas no casco de uma balsa interceptada entre os municípios de Óbidos e Santarém, vinda do Amazonas.

A ação, que culminou na prisão de dez homens, entre eles um narcotraficante foragido da Justiça, é um golpe significativo contra o crime organizado, mas também um lembrete gritante de que a Amazônia segue refém de facções criminosas que operam como um poder paralelo, faturando bilhões de reais com seus negócios sujos e expandindo sua influência nefasta.

O sucesso da operação é mérito de um trabalho investigativo implacável conduzido por equipes da Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc), do Núcleo de Investigação Policial (NIP), do Núcleo de Apoio à Investigação (NAI) de Santarém e da Superintendência do Baixo e Médio Amazonas, com apoio estratégico da Base Integrada Fluvial Candiru — uma força-tarefa que reúne Polícia Civil, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar.

Após meses de apuração, os agentes passaram três dias em vigilância às margens do Rio Amazonas, culminando em uma abordagem tensa às 2h da manhã. Para localizar a carga, foi necessário cortar a estrutura da embarcação e mergulhar no casco, onde compartimentos camuflados escondiam o material ilícito.

As drogas foram transportadas em comboio até o NAI de Santarém, onde foram pesadas e catalogadas. Os presos, agora à disposição da Justiça, foram apresentados na Seccional da Polícia Civil. Segundo a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), a operação desarticulou uma das principais rotas fluviais usadas por organizações criminosas para escoar entorpecentes provenientes de países produtores, como a Colômbia, atravessando o Amazonas até o Pará — um corredor logístico que sustenta o império do tráfico na região.

Inteligência policial

O papel da Polícia do Pará nessa apreensão é inegável e merece aplausos. Enfrentando condições adversas e um inimigo bem estruturado, os agentes demonstraram competência e determinação, provando que a instituição é uma peça-chave no combate ao crime organizado. No entanto, seria ingênuo celebrar como se fosse uma vitória definitiva.

A Amazônia, com seus rios sinuosos e vastidão quase ingovernável, tornou-se um playground para facções criminosas que comandam o narcotráfico com mãos de ferro. Esses grupos, que faturam bilhões e expandem seus tentáculos para além das drogas — envolvendo contrabando, lavagem de dinheiro e violência desenfreada —, estabeleceram um poder paralelo que desafia o Estado brasileiro. O que foi apreendido é apenas a ponta de um iceberg imundo que ameaça engolir a região.

A operação desta sexta-feira é um passo importante, mas insuficiente. Outras ações, ainda mais ousadas e frequentes, precisam ser empreendidas para mostrar que existe lei na Amazônia. O combate ao tráfico não pode se limitar a vitórias pontuais; exige uma ofensiva contínua, com mais recursos, valorização profissional, inteligência e cooperação entre estados e países vizinhos.

Enquanto o crime organizado lucra e se fortalece, comunidades ribeirinhas vivem sob o jugo do medo, e o futuro da região permanece em xeque. A Polícia do Pará deu um exemplo de força, mas o recado precisa ecoar mais alto: ou o Estado assume o controle, ou os barões da droga continuarão reinando soberanos nas águas e matas da Amazônia.

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