Lula critica países que sabotam a OMS: “Erro com sérias consequências”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou países que sabotam o trabalho da Organização Mundial da Saúde (OMS). A declaração do petista ocorreu nesta quarta-feira (26/2) durante reunião dos sherpas do Brics, em Brasília.

Lula pontuou que pandemias, como a da Covid-19, demonstraram a necessidade de um tratado internacional de saúde pública. Ele ainda pontuou a necessidade de fortalecer a OMS para equiparar o acesso a vacinas e medicamentos de todos os países.

“A ausência, em torno do Tratado sobre Pandemias, mesmo após a Covid-19 de novo e a pandemia Mpox, atesta a falta de coesão da comunidade internacional diante de graves ameaças”, afirmou Lula.

“Sabotar os trabalhos da Organização Mundial da Saúde é um erro com sérias consequências. Fortalecer a arquitetura global de saúde com a OMS em seu centro é fundamental para garantir um justo e equitativo acesso aos medicamentos e às vacinas necessários ao desenvolvimento sustentável de nossos países”, destacou o chefe do Palácio do Planalto.

A declaração de Lula ocorreu depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 20 de janeiro, assinou uma ordem executiva que determinava a retirada imediata do país da OMS.

À época, a OMS lamentou a saída dos EUA da organização e reiterou que o país é um dos membros fundadores da instituição. “Instituições americanas contribuíram e se beneficiaram da filiação à OMS”, lembrou.

Na mesma toada, o presidente Lula criticou países que governam com base na “lei do mais forte”.

“Quem aposta no caos e na imprevisibilidade se afasta dos compromissos coletivos que a humanidade precisa urgentemente assumir. Negociar combate na lei do mais forte é um atalho perigoso para a estabilidade e para a guerra. Frente à polarização e à ameaça de fragmentação, a defesa consistente do multilateralismo é o único caminho que devemos treinar”, completou Lula.

Reunião do Brics

Ocorre nesta semana a primeira reunião dos sherpas no Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores. O encontro é realizado com os enviados especiais dos chefes de Estado ou governo dos membros do Brics, com o intuito de conduzir as discussões que devem acontecer na Cúpula de Líderes, prevista para 6 e 7 de julho, no Rio de Janeiro.

A reunião dos sherpas foi presidida pelo embaixador Maurício Carvalho Lyrio, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty e sherpa do Brasil no Brics. Os encontros têm como temática: cooperação em saúde global; mudança do clima; comércio, investimento e finanças; e governança da inteligência artificial.

O Brics é composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, além dos novos membros Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Irã. Mas marcaram presença na reunião de sherpas embaixadores de Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda e Uzbequistão.

O Brasil irá presidir o Brics até 31 de dezembro de 2025, com o lema: “Fortalecendo a Cooperação do Sul Global para uma Governança mais Inclusiva e Sustentável”.

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