Coluna: Escola Antonieta vandalizada. Até quando?

Essa semana recebi fotos da fachada da Escola de Ensino Fundamental Antonieta de Barros, em pelo Centro de Florianópolis, situação que se perpetua há 16 anos, quando foi fechada por falta de manutenção. Fui procurada justamente porque no dia 11 de fevereiro publiquei, nesta coluna, o conto “Entrevistando Antonieta”.  Nesse conto, Antonieta contava sobre a origem modesta, como filha de escravizada liberta e relatava a trajetória de lutas que empreendeu em prol da educação, especialmente da população negra e em vulnerabilidade social. Vale destacar que se hoje a categoria do magistério comemora o Dia do Professor, é por iniciativa dela enquanto esteve à frente do Parlamento Catarinense.

 

Pelas fotos que recebi, é possível constatar o completo estado de abandono e deterioração do prédio. Além da fachada tomada por pichações em volta da pintura que retrata a grande educadora, jornalista, escritora e primeira parlamentar preta do país, o espaço foi invadido por moradores em situação de rua e a parte interna está completamente destruída. É inadmissível que  sucessivas administrações permitiram tal descaso com o patrimônio público.

 

Escola Antonieta de Barros, fechada há 16 anos, há sete meses teve a reforma autorizada para licitação. Foto: Márcia Vieira

 

Reforma ainda não saiu do papel

 

Reportagem do “Balanço Geral” da NSC TV, realizada há sete meses pela repórter Kelly Borges, já mostrava a triste situação do prédio, relatando que o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, assinou a autorização para a licitação da reforma da Escola em questão. Consta que em 2019 havia previsão para restaurar a edificação, à época orçada em R$ 4,5 milhões, interrompida pela pandemia da Covid-19. Portanto, permanece a expectativa para que a licitação aconteça e que a reforma saia do papel.

 

Em 2023, Antonieta de Barros passou a ser incluída no “Livro de Heróis e Heroínas da Pátria. Foto: Wikipedia

 

Heroína da Pátria

 

Enquanto tudo permanecer como está, quem transitar pela Rua Vítor Meirelles vai se deparar com esse cenário triste, de uma escola abandonada que leva o nome da grande Antonieta de Barros, a mulher que deixou um legado inestimável pela democratização da Educação, valorização da cultura negra e emancipação feminina. Nascida em 1901, faleceu precocemente, em março de 1952, aos 50 anos. E sempre é bom lembrar que em 2023, Antonieta de Barros passou a ser incluída no “Livro de Heróis e Heroínas da Pátria.

 

“Vandalismo desolador”, lamenta Chefe dos Museus

 

“Atos de vandalismo revelam o lado sombrio da natureza humana. Vandalizar uma escola que leva o nome de Antonieta de Barros, a primeira mulher negra a assumir um mandato popular no Brasil e uma das três primeiras mulheres eleitas na história do país – é especialmente desolador. Filha de uma escrava liberta, Antonieta foi pioneira no combate à discriminação racial e de gênero, além de ser reconhecida por suas contribuições como jornalista e professora. Diante das constantes notícias de barbárie, não me surpreende essa realidade, mas isso me dói em um lugar de fala que frequentemente tentam silenciar. Contudo, são essas manifestações adversas que nos fortalecem; retroceder não é uma opção. Continuamos nos posicionando em prol de uma sociedade plural e igualitária.” Ivana Cavalcanti, Chefe dos Museus Municipais de Jaraguá do Sul e Secretária-Executiva do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (Compir).

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