Influenciadores usavam produtos do Paraguai com selos falsos da Anvisa em clínica que deixou pacientes deformados

Em Goiânia, uma clínica de estética gerida pelos influenciadores Paulo César Dias Gonçalves e Karine Gouveia está sob investigação devido ao uso de produtos estéticos irregulares. Um ex-funcionário da clínica revelou à polícia que produtos como óleo de silicone e toxina botulínica eram adquiridos no Paraguai, sem o devido selo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A defesa de Paulo afirma que a clínica sempre utilizou produtos de alta qualidade, enquanto a defesa de Karine ainda não se pronunciou.

Segundo informações do g1, o depoimento do ex-funcionário indica que os rótulos dos produtos eram adulterados ao chegarem ao Brasil, com selos da Anvisa sendo aplicados de forma irregular. Ele relatou que decidiu deixar a empresa após perceber que o produto utilizado não era ácido hialurônico, mas sim óleo de silicone, ao observar uma seringa estourar e manchar a ficha de uma paciente com um líquido oleoso.

Como o óleo de silicone oferece risco em procedimentos estéticos?

Influenciadores usavam produtos do Paraguai com selos falsos da Anvisa em clínica que deixou pacientes deformados
Casal investigado pela Polícia Civil, Goiás — Foto: Reprodução/Redes Sociais

O óleo de silicone é proibido para fins estéticos no Brasil devido aos riscos associados ao seu uso. Ao contrário do ácido hialurônico, que possui uma consistência gelatinosa e é seguro para uso em preenchimentos, o óleo de silicone pode causar sérios problemas de saúde. Entre os riscos estão a necrose, embolia e outras complicações que podem ser fatais. O ex-funcionário alertou Paulo César sobre esses perigos, mas não obteve resposta.

Riscos do silicone industrial em procedimentos estéticos:

  • Reações adversas: O silicone industrial pode causar reações inflamatórias graves, deformidades, dores crônicas e dificuldades de locomoção.
  • Infecções: A aplicação inadequada do produto aumenta o risco de infecções locais e generalizadas, que podem levar à sepse.
  • Embolia pulmonar: A injeção de silicone industrial pode causar embolia pulmonar, uma condição grave que pode ser fatal.
  • Necrose tecidual: O produto pode causar necrose nos tecidos, levando à morte celular e complicações severas.
  • Migração do produto: O silicone industrial pode migrar para outras áreas do corpo, causando deformidades e complicações em locais distantes da aplicação.
  • Morte: Em casos extremos, o uso de silicone industrial em procedimentos estéticos pode levar à morte.

Riscos do silicone médico em procedimentos estéticos:

  • Rejeição do implante: O corpo pode rejeitar o implante de silicone, causando inflamação, dor e necessidade de remoção.
  • Ruptura do implante: Implantes de silicone podem se romper, causando vazamento do material e necessidade de cirurgia para remoção e substituição.
  • Contratura capsular: O corpo pode formar uma cápsula ao redor do implante, que pode se contrair e causar dor e deformidade.
  • Infecção: A cirurgia para colocação de implantes de silicone pode levar a infecções, que podem ser graves e exigir tratamento prolongado.
  • Complicações cirúrgicas: Como qualquer procedimento cirúrgico, a colocação de implantes de silicone apresenta riscos de complicações como sangramento, hematoma e problemas de cicatrização.

Qual o futuro da investigação?

As investigações começaram em abril de 2024, após uma paciente denunciar a clínica. Desde então, outras vítimas relataram complicações graves, incluindo um caso de necrose no nariz que levou à intubação. A polícia identificou que os procedimentos eram realizados de forma inadequada, utilizando produtos proibidos como óleo de silicone e PMMA.

O casal foi preso pela primeira vez em dezembro de 2024, mas liberado em fevereiro de 2025 por decisão judicial. No entanto, foram presos novamente em março de 2025 após novas acusações. Paulo e Karine foram indiciados por crimes como lesão corporal gravíssima, exercício ilegal da medicina, fraude processual e falsificação, com outros profissionais da clínica também envolvidos no inquérito.

Qual o impacto das denúncias na comunidade local?

O caso gerou grande repercussão em Goiânia e levantou preocupações sobre a segurança dos procedimentos estéticos na região. A comunidade local está em alerta, e muitos clientes de clínicas de estética estão mais cautelosos ao escolher onde realizar seus procedimentos. A situação destaca a importância de regulamentações rigorosas e fiscalização efetiva para garantir a segurança dos consumidores.

As investigações continuam, e a expectativa é que novas informações sejam reveladas à medida que o caso avança. A situação serve como um alerta para a necessidade de práticas éticas e seguras no setor de estética, protegendo a saúde e o bem-estar dos pacientes.

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