Quanto ganha um CEO? Estudo revela salários e bônus milionários no Brasil

Enquanto nos Estados Unidos os salários dos CEOs das grandes companhias são pauta recorrente — com repercussão em jornais, reuniões de acionistas e protestos de investidores institucionais —, no Brasil o tema ainda circula apenas em bastidores de conselhos e comitês de remuneração. Mas os números existem, crescem e importam.

Segundo levantamento exclusivo da SG Comp Partners, a remuneração total direta de um CEO de companhia aberta no Brasil chega a ultrapassar R$ 46 milhões ao ano, com mediana em R$ 6,2 milhões, considerando um salário-base em torno de R$ 160 mil, bônus anual e incentivos de longo prazo (ILP), como ações e opções vinculadas ao desempenho da empresa.

De acordo com a base de 197 empresas listadas na B3 analisadas pela consultoria, esse pacote de remuneração direta representa em média 0,16% da receita líquida anual da empresa. Os dados são pouco debatidos, mas extremamente relevantes para investidores atentos à eficiência de capital e ao alinhamento de incentivos entre executivos e acionistas.

Em um país onde poucas empresas têm capital pulverizado — apenas 19 companhias listadas na B3 são consideradas “corporations puras”, como Gafisa, CVC, Lojas Renner, Totvs, BR Malls, Vale e Embraer — a governança em torno da remuneração executiva costuma ter menor pressão externa.

O estudo mostra que os tipos de plano de remuneração variam conforme o porte da empresa. Entre companhias com receita acima de R$ 9 bilhões, 45% adotam ações restritas como parte do pacote do CEO. Esse número cai para 35% entre empresas médias e para 21% nas menores. A lógica é clara: empresas maiores tendem a buscar maior preservação de valor patrimonial e controle de riscos, e as ações restritas oferecem justamente isso.

Já as stock options, muito populares há uma década, perderam protagonismo. Hoje, só 16% das grandes companhias ainda utilizam esse modelo, contra 31% nas pequenas. Porém, a recente decisão do STJ (de setembro/24) em prol da natureza mercantil das stock options, que implica em menor carga tributária, deve contribuir para o crescimento da utilização desta modalidade de plano. Os planos phantom — que simulam ações, mas sem entrega efetiva de papel — seguem sendo pouco relevantes no Brasil.

E o investidor?

Na prática, entender como o CEO é remunerado ajuda o investidor a analisar se há alinhamento entre performance e retorno. Quando bem estruturado, o pacote de remuneração cria incentivo para que o executivo aumente o valor da companhia no longo prazo. Quando mal desenhado, gera riscos — como foco exagerado em metas de curto prazo ou ganhos desproporcionais em cenários de baixa performance.

Saliby aponta que “os investidores institucionais brasileiros ainda se envolvem pouco com as diretrizes de remuneração das companhias, ao contrário do que se vê nos Estados Unidos, onde esse é um dos pilares da governança corporativa”.

O contraste com os EUA

Nos Estados Unidos, a remuneração de CEOs faz parte do debate público e é constantemente auditada por investidores e conselheiros. Ainda assim, os pacotes seguem elevados. Em 2024, pela primeira vez em uma década, nenhum CEO de empresa do S&P 500 recebeu mais de US$ 100 milhões/ano, segundo o Wall Street Journal.

A média de salário dos CEOs do índice ficou em US$ 16,4 milhões, acima dos US$ 15,9 milhões de 2023. O aumento é atribuído, principalmente, a pacotes vinculados a ações e opções de ações com metas de desempenho.

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