PM que matou jovem na frente da esposa grávida em SP não usava bodycam

São Paulo — Os policiais militares (PMs) envolvidos na ocorrência em que um homem de 22 anos foi morto na frente da esposa grávida em Piracicaba, no interior de São Paulo, não usavam câmeras corporais, de acordo com o registro da ocorrência.

Os PMs afirmam que Gabriel Junior Oliveira Alves Da Silva teria resistido à abordagem e que o disparo na cabeça foi necessário, porque ele teria partido para cima dos agentes, segurando uma pedra.

Dois policiais militares são arrolados no boletim de ocorrência (B.O.): Leonardo Machado Prudêncio e Júnior César Rodrigues (autor do disparo fatal). A vítima teria sido socorrida pelo  Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e teve o óbito constatado no hospital.

A abordagem foi testemunhada por diversos moradores do bairro Vila Sônia. Em vídeos, é possível ouvir o som do disparo e o desespero da população. “Mataram o Biel, mataram o menino”, diz uma mulher ao fundo.

Nas imagens, é possível ver Rebeca Mirian Alves Braga, esposa da vítima, sendo puxada por um dos PMs.

Após o tiro, Rebeca entra em pânico, chora e chega a se ajoelhar no chão. Vizinhos correm para ampará-la. Gabriel foi conduzido pelo Samu ao Hospital dos Fornecedores de Cana de Piracicaba, onde a morte foi constatada.

Assista:

O que se sabe

  • Os policiais militares Júnior César Rodrigues e Leonardo Machado Prudêncio estavam fazendo patrulhamento na região quando avistaram Gabriel com um volume suspeito.
  • O jovem resistiu à abordagem. Sua esposa também se insurgiu contra os policiais.
  • No momento em que o PM Júnior foi apoiar o PM Prudêncio, que estava com Rebeca, Gabriel pegou uma pedra e foi em direção aos agentes.
  • O policial Júnior César pediu para o jovem soltar a pedra, o que ele não fez. Com a aproximação de Gabriel, o PM fez o disparo.

As armas dos policiais militares foram apreendidas e um inquérito policial militar (IPM) será instaurado para apurar o ocorrido. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que, além do IPM, o caso está sendo investigado pela 3ª Delegacia de Homicídios do Deic do Deinter 9.

Ainda de acordo com a pasta, a Polícia Militar afirmou que não tolera desvios de conduta ou excessos. “Se constatadas irregularidades, os envolvidos serão devidamente responsabilizados”, disseram.

Novas câmeras corporais

A SSP estendeu, até o próximo dia 21 de abril, a fase de testes das 12 mil novas câmeras corporais, adquiridas pela Polícia Militar por meio de licitação.

Diferente dos equipamentos usados atualmente, que gravam todo o trabalho da polícia, initerruptamente e sem que os agentes consigam desligá-los, as câmeras novas precisam ter a gravação acionada. Caso os policiais não acionem a gravação, o Centro de Operações Policiais Militares (Copom) consegue acioná-la, mesmo à distância.

As 12 mil novas câmeras corporais atendem apenas 15% do número total de policiais militares no estado, que é de mais de 80 mil.

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