Servidora perde R$ 55 mil para falso investidor: “Estou desesperada”

Uma servidora pública federal sofreu um golpe milionário de um empresário do ramo de camas e colchões no Distrito Federal. O caso aconteceu em janeiro deste ano e é investigado pela Polícia Civil do DF (PCDF).

O que aconteceu

  • A vítima, que solicita condição de anonimato, estava a procura de uma cama nova e, em 30 de janeiro deste ano, encontrou uma loja na CNF 02, em Taguatinga, onde trabalhava o empresário Sanção Borges Leal, 41 anos. Ela foi até o local no dia seguinte, 31 de janeiro.
  • Enquanto eles negociavam a compra da cama, Sanção aproveitou para falar que também trabalhava em outro ramo, numa espécie de  investimento informal de dinheiro.
  • Funcionava assim: o homem se oferecia para receber qualquer valor da vítima e prometia devolver, em alguns dias, mais do que recebeu. No caso da servidora, ele insistiu para que ela lhe depositasse R$ 55 mil e prometeu pagar R$ 60 mil em duas semanas.
  • A servidora conta que resistiu no início, mas acabou sendo convencida pela “lábia” do empresário.
  • O suspeito, então, nunca pagou os R$ 60 mil, tampouco devolveu os R$ 55 mil que são da vítima. Ele chegou a fazer três cheques, de valores que variam entre R$ 45 mil e R$ 60 mil, mas todos sem fundo.

A vítima relembra como conheceu o vendedor de colchões. “Eu estou me mudando de casa e pedi indicação a um amigo de uma loja onde eu pudesse comprar uma cama. Ele, então, me falou desse rapaz e eu fiz o primeiro contato em 30 de janeiro deste ano, por WhatsApp“, comenta. “No dia seguinte, fui até a loja.”

Foi neste dia que Sanção convenceu a mulher a aderir a esse empréstimo com promessa de retorno imediato. “Ele disse que trabalhava com essa coisa de giro rápido. Foi insistindo, me mostrando conversas com supostos clientes, prometendo sucesso”, explica a servidora, que alega ter sido envolvida pela argumentação do rapaz. “Quando eu vi, abri o aplicativo do meu banco e transferi R$ 55 mil a ele. Era tudo que eu tinha.”

“Esses R$ 55 mil era para eu comprar meu apartamento. Eu sinto até vergonha de lembrar como fui enganada. Fiquei cega. Quando me dei conta, pensei: ‘Meu Deus, o que eu fiz?!’”, diz a vítima.

Àquela altura, a moça já suspeitava de que caíra num golpe, mas ainda não havia feito essa constatação. Ela esperou o prazo prometido pelo vendedor, que disse que pagaria R$ 60 mil a ela em 14 de fevereiro.

“Eu já fiquei desesperada assim que enviei o dinheiro, ainda no fim de janeiro. Parece que uma energia ruim me acometeu e me fez realizar aquela transferência. Comecei a cobrá-lo, e ele me enviou R$ 10 mil como consolo”, conta a servidora.

O dia 14 de fevereiro chegou, e a suspeita se concretizou: o golpista não pagou o valor combinado e, ao ser cobrado, deu desculpas das mais variadas.

Por fim, dos R$ 55 mil que a funcionária pública enviou, recebeu apenas R$ 10 mil. Quanto ao restante, Sanção fez três cheques: um de R$ 47 mil, um de R$ 45 mil, e outro de R$ 60 mil. Nenhum deles tinha fundo.

2 imagens

Sanção Borges Leal, 41 anos

1 de 2

Sanção recebeu R$ 55 mil de servidora pública federal prometendo ganhos à vítima e não cumpriu com o combinado

Material cedido ao Metrópoles

2 de 2

Sanção Borges Leal, 41 anos

Material cedido ao Metrópoles

Desespero e desculpas

As conversas entre Sanção e a vítima mostram o desespero da mulher ao perceber que perdeu mais de R$ 50 mil reais que seriam usados para comprar um apartamento.

“Me passa qualquer valor, por favor. Não posso deixar de pagar o meu apartamento. Eu estou desesperada”, implorou a mulher ao golpista, em 3 de fevereiro deste ano.

“O meu corpo dói, não consigo me alimentar e os meus filhos me abraçam para me consolar e enxugar minhas lágrimas o tempo todo”, queixou-se a ele. “Estou vivendo um grande sofrimento. Sempre confiei nas minhas amigas e, como você foi indicado por um amigo meu, também acreditei em você sem titubear.”

Enquanto isso, o golpista dava explicações variadas. Dizia que estava fazendo “uma manobra com um colega” para pagar a dívida; alegava “problemas de saúde”; fazia novas propostas de pagamentos semanais de menor valor; e sempre pedia mais dias para resolver o débito.

Veja imagens das conversas:

10 imagens

1 de 10

Material cedido ao Metrópoles

2 de 10

Material cedido ao Metrópoles

3 de 10

Material cedido ao Metrópoles

4 de 10

Material cedido ao Metrópoles

5 de 10

Material cedido ao Metrópoles

6 de 10

Material cedido ao Metrópoles

7 de 10

Material cedido ao Metrópoles

8 de 10

Material cedido ao Metrópoles

9 de 10

Material cedido ao Metrópoles

10 de 10

Material cedido ao Metrópoles

Como mostra a última imagem, Sanção não responde a servidora pública federal desde 25 de março, pouco mais de uma semana.

A loja em que o homem trabalhava está com o status de “permanentemente fechada” no Google. “Fui até lá na última segunda-feira (31/3), e alguns comerciantes vizinhos disseram que mais pessoas têm ido à loja a procura do golpista”, relata a vítima.

Mais vítimas

Um perfil no Instagram, criado em novembro de 2024, acusa Sanção de “golpista”, “estelionatário” e “aproveitador de inocentes”.

O perfil reúne apenas quatro postagens, feitas entre novembro e dezembro de 2024. Em uma delas, uma pessoa alerta: “Este homem tem feito vítimas no Distrito Federal. Ele diz vender colchões, mas, na verdade, é um tremendo 171”, acusa. “Ele atrai mulheres com promessas de investimentos ou venda de colchões, pega o dinheiro, bloqueia a pessoa [nos apps de conversa] e some.”

Outro internauta disse ter levado um “calor de mais de 100 mil reais”.

Veja a postagem:

 

Ver essa foto no Instagram

 

Uma publicação compartilhada por sanção Borges leal (@estelionato24)

Respostas

O Metrópoles buscou ouvir Sanção Borges Leal, mas o homem não atendeu as ligações e nem respondeu as mensagens enviadas pela reportagem. O espaço segue aberto.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.